Novelos de Silêncio

sábado, 19 de Dezembro de 2009






Quan ve Nadal fem el pessebre
amb rius, muntanyes de colors,
el caganer, l’estrella, l’Àngel,
el Nen, la Mare i els pastors,
cantem cançons i mengem neules,
també torrons i altres llamins,
i per arrodonir les festes
que omplen de joia grans i nins
ens aboquem a les finestres
a esperar els reis que van venint.


Miquel Martí i Pol, "Desembre"




quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009








Estallará la isla del recuerdo

la vida será un acto de candor

Prisión

para los días sin retorno

Mañana

los monstruos del buque destruirán la playa

sobre el vidrio del misterio

Mañana

la carta desconocida encontrará las manos del alma


Alejandra Pizarnik, “Sueño”, de "La ultima inocencia", em
Obras Completas. Poesía y Prosas





terça-feira, 15 de Dezembro de 2009







Carolina foi o amor manso de minha vida. Assim como veio, sem sustenido ou dó de peito, terminou. Mansamente, como uma valsa lenta. Pelo meu temperamento preguiçoso, teria continuado para sempre, nunca tive coragem ou ânimo de romper coisa nenhuma.


Autran Dourado, em Confissões de Narciso





domingo, 13 de Dezembro de 2009








Quand la vie est une forêt

Chaque jour est un arbre

Quand la vie est un arbre

Chaque jour est une branche

Quand la vie est une branche

Chaque jour est une feuille



Jacques Prévert, extrait de "Quand la vie est un collier..."





sábado, 12 de Dezembro de 2009






Um jardineiro faz-me notar que é no Outono que vemos a verdadeira cor das árvores. Na Primavera, a abundância de clorofila veste-as a todas com uma libré verde. Chegado Setembro, elas mostram-se cobertas das suas cores próprias, a bétula loira ou doirada, o bordo amarelo-laranja-vermelho, o carvalho cor de bronze e ferro.


Marguerite Yourcenar, “Escrito num jardim”, de O Tempo esse grande escultor
Tradução de Helena Vaz da Silva





quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009








Eles foram lá

e não encontraram

os ecos escondidos de milhares de poetas

farrapos esquecidos de etéreos poemas,

no Mar da Tranquilidade

só pó e rochas

que trouxeram

e aclamados esqueceram

quem a havia descoberto

conquistando o Espaço

apenas olhando

a Lua!


Gundula Steglitz, "A Lua"






segunda-feira, 30 de Novembro de 2009






A morte é a curva da estrada,
Morrer é só não ser visto.
Se escuto, eu te ouço a passada
Existir como eu existo.

A terra é feita de céu.
A mentira não tem ninho.
Nunca ninguém se perdeu.
Tudo é verdade e caminho.

Fernando Pessoa, Cancioneiro




dito por Natália Luiza




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* Eli Miguel *
** “Oh diz-me quem sou eu / quem és tu?”, António Ramos Rosa, Viagem através duma Nebulosa - - ** "Quem sou eu? Eu só e minha tarde", Ruy Belo, Homem de Palavra[s] - - ** "Eu quem sou? Quando ponho de parte os meus artifícios e arrumo a um canto, com cuidado cheio de carinho - com vontade de lhes dar beijos - os meus brinquedos, as palavras, as imagens, as frases - fico tão pequeno e inofensivo, tão só num quarto tão grande e tão triste, tão profundamente triste!... Afinal eu quem sou, quando não brinco? Um pobre orfão abandonado nas ruas das sensações, tiritando de frio às esquinas da Realidade, tendo que dormir nos degraus da Tristeza e comer o pão dado da Fantasia." Bernardo Soares, Livro do Desassossego
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